sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dos planos e presepadas

Uma ideia na cabeça, uma decisão e uma atitude.... pronto! você tem um plano.

Nunca fui muito do tipo que planeja as coisas, mas alguns tombos que levei me ensinaram que é essencial se preparar pra tudo que o acaso reservar. Desde pequenas coisas como organizar os horários pra aproveitar melhor o tempo, até assaltos a banco tendem a ser mais eficientes com um um bom planejamento.

O plano nem sempre é simples, as vezes se precisa passar por cima das nossas próprias manias e certezas, mas é aí que está a beleza da coisa: com um bom plano pode-se alcançar coisas que antes pareceriam impossíveis.

Esse texto deve estar parecendo totalmente sem lógica nem nexo (e, de fato, o é), mas o ponto aqui é que se você realmente deseja alguma coisa, não adianta ficar sentado esperando que seus sonhos se realizem sozinhos, pois as respostas não caem do céu.

O meu plano mestre de vida sempre foi bem, digamos, relaxado, o que - aliás -  já me botou em algumas enrascadas desnecessárias. Já fiz muita besteira nessa vida, já quebrei coisas caras,  perdi oportunidades, magoei e saí magoado... já deixei gente importante ir embora, já comecei incêndios sem querer... já tive vontade de voltar o tempo, queria ter ficado calado quando disse o que não devia e queria ter falado o que não falei. Mas apesar de tudo, não tenho grandes arrependimentos, as cicatrizes que trago são como troféus de uma boa vida e, provavelmente, não seria quem sou se não tivesse tropeçado, caído e levantado tantas vezes. É só que poderia ter passado mais tempo aproveitando aquele pôr do sol de outubro de 1999 ao invés de fazer aquela lição que deixei atrasar.

É por tudo isso que eu digo: viva uma vida sem arrependimentos, aproveite o momento! mas não esqueça que depois desse, vem outro... e outro... e mais um... Não espere o dia em que será velho e cheio de  coisas que queria ter feito, lugares que gostaria de ter ido, pessoas que teria conhecido... seja um tiozinho maneiro, cheio de histórias pra contar.
Se você tem um sonho, algo que queira mais do que qualquer outra coisa, seja uma viagem, uma carreira, uma pessoa ou aquele pote de sorvete de 5 Kg que você viu quando era criança... tire a bunda da cadeira e faça alguma coisa!

Este é o meu plano!

sábado, 24 de abril de 2010

Cálculo, meu eterno martírio...



Mas pra mim a lógica tá certa....

Das pessoas que eu trago na vida

Hoje foi um bom dia, não fiz nada de produtivo, então tive bastante tempo pra praticar meu hobby favorito: pensar em coisas aleatórias.
Hoje recebi um email de um amigo de outros tempos, dos tempos em que eu jogava tênis na rua com um fio de telefone amarrado de um lado a outro da rua e táboas de cortar carne como raquetes (mas essa é uma outra história). Na verdade foi um spam enviado por algum virus que ele pegou provavelmente baixando o conteúdo de um daqueles "veja as minhas fotos" ou "você é nosso cliente numero 9999, clique e receba seu prêmio". O email em si não significou muito, mas me fez pensar um pouco, pensar em quantas pessoas a gente conhece na vida... e quantas continuam com você.

Acho que dos meus tempos de infância, ainda falo com poucas pessoas, um gesto com a cabeça quando cruzo com alguém pelas ruas da vizinhança ou um "ôpa" quando nos esbarramos por aí. Não é que tenha deixado de gostar de nenhum deles, foi só o tempo fazendo a parte dele.. levando cada um pro seu caminho. Com os colegas de escola foi parecido, posso contar nos dedos as amizades que sobreviveram aos anos, mas essas irão, sem dúvida, durar pra sempre.

Li certa vez que uma pessoa é tão boa quanto aqueles que tem ao seu lado. Fiz disso o meu lema de vida. Um bom exemplo é a faculdade... sou apaixonado pelo que faço, aprendi e aprendo coisas muito, mas muito legais mesmo lá... só que a melhor parte, sem dúvida, são as pessoas... bons amigos, de um tipo que é raro hoje em dia, amigos que te dão a mão quando você precisa ou que te mandam à merda quando merece.

sábado, 10 de abril de 2010

Das histórias de infância I

Hoje, enquanto estudava pra uma prova na qual já sei que vou me ferrar,  comecei a pensar nas minhas cagadas historias de infância. Vou contar uma das que foram mais tensas pra mim. Como essa história envolve pessoas com quem não tenho mais contato, vou alterar os nomes para evitar constrangimentos. Essa história é sobre meu amigo Fernando, grande Fernando, amigo que jamais será esquecido.

Numa tarde quente de janeiro do século passado, meus amigos e eu resolvemo ir nadar no rio... pois não era muito longe e estava fazendo muito calor. Todos curtiram a idéia, menos eu que estava com medo da surra que ia levar se minha mãe descobrisse que eu saí sem a permissão dela. Mas como estava realmente muito calor, resolvi ir.

Chegando lá, disse pra mim mesmo que tinha valido a pena, porque todo mundo estava se divertindo e fazendo bagunça. Lá por umas 18:00h, resolvemos voltar, porque logo iria escurescer. Quando estamos quase chegando, alguém dá por falta do Fernando... tipo, ninguém se lembrava de tê-lo visto desde antes de irmos embora. E agora, o que fazer?

Nessa hora veio a minha cabeça tudo o que de pior podeira acontece: polícia, julgamento, cadeia... e o pior de todos os destinos: a reação da minha mãe ao contar que tinha saído sem ela saber e deixado o Fernando morrer afogado. Nessa hora a cadeia já não me parecia um lugar tão ruim... pois tem banho de sol uma vez ao dia, duas refeiçoes e o melhor de tudo, proteção policial contra os meus pais.

Todos desesperados, voltamos ao rio e procuramos por toda a parte...dentro do rio, nas pedras, até em cima das arvores. Aí começaram a surgir mais teorias, algumas envolviam assassinos, outras extraterrestres... Mas escuresceu... e a única opção (além de fugir pra Guiana) era voltar... voltar e encarar o que nos esperava.

Já chegando novamente, todos com as cabeças baixas, uns chorando, outros desesperados... vemos em frente à casa do Felipe os pais de alguns de nós, com caras que variavam desde preocupação até irritação.

 Todos os pais estavam tão bravos que foram nos arrastando pra casa, sem que nenhum de nós tivesse coragem de contar o que havia acontecido, nisso ouve-se da esquerda uma voz, uma voz conhecida, vinda da janela da casa do nosso finado amigo... era ele, perguntando por que havíamos demorado tanto pra vir embora e dizendo que havia vindo antes porque não tinha almoçado e estava morto de fome. Nessa hora o ódio substituiu o pranto e deste dia em diante todos prometemos jamais perdoar ele, pois no final,todos acabamos apanhando em casa. Mas ódio de criança é coisa boba, que logo passa, na semana seguinte já voltamos às boas com ele. Hoje em dia já não nos falamos mais, pois o tempo se encarregou de separar toda a turma, mas toda vez que o vejo, me lembro dessa história.

Como disse no começo, essa história é sobre meu amigo Fernando, grande Fernando, amigo que jamais será esquecido. Fernando, grandissíssimo filho da puta.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Dos dias de frio

Curitiba, noite de uma terça-feira. Eu poderia muito bem parar de escrever por aqui e tudo já estaria explicado, mas acordei hoje com vontade de escrever um pouco, além do que, nos últimos anos nem toda noite curitibana tem sido tão fria. Vinte anos aqui e ainda não me acostumei com o clima local.

Como Foucault eu sempre digo, não há nada de todo bom ou de todo ruim, é sempre uma questão de contexto... Hoje, por exemplo, foi um dia perfeito, pois acordar bem tarde, tomar um chocolate quente ainda na cama e passar o dia enrolado nas cobertas assistindo a sessão da tarde e comendo pipoca com manteiga... eu estaria, como diria uma certa lapiana, pulando de alegria... mas foi esse o meu dia? claro que não! Acordei em plena madrugada (às 5:00) assustado com o celular tocando aquele som aconchegante que pode ser definido como algo entre um grito de criança e uma sirene no volume máximo. Como se já não bastasse, olho pela janela e no meio da penumbra o que vejo? chuva, muita chuva! e vento, não posso esquecer do vento... aquele que entra pela pele e trinca os ossos.

O dia já começou bem, mas foi aí que tudo melhorou, porque 7:30 tive uma prova gostosa de física3... isso, a mesma física3 que faço pela segunda vez, e do jeito que eu fui na prova ano que vem ainda estarei nisso.

Mas o ponto aqui não são minhas desventuras acadêmicas, e sim as alegrias desse dia de frio. Pois bem, depois de passar o dia todo tremendo igual mão de bêbado, vim embora mais cedo porque não teria aula de Magnetoquímica hoje, graças a Deus o que foi uma pena.

Dia dificil? Não! Agora a pouco descobri que estou gripado, sem ninguém pra cuidar de mim (óóóó) e o frio só está começando, pois a previsão é que o dia de amanhã traga temperaturas ainda menores. :(

Da citação necessária

Amigos
Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto
e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos
e o quanto minha vida depende de suas existências ...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade,
não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não tem noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital,
porque eles fazem parte do mundo que eu,
tremulamente, construí,
e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece
é que a roda furiosa da vida
não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo comigo,
todos os meus amigos, e, principalmente,
os que só desconfiam
- ou talvez nunca vão saber -
que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.

Vinicius de Moraes